
John Donne foi um homem acostumado à tristeza. Ele ficou
conhecido como poeta e deão da Catedral de São Paulo, a maior igreja de
Londres. Ele passou por três ondas da Grande Peste – a peste negra que devastou
a Europa - matando milhares de pessoas e transformando Londres numa imensa
cidade fantasma.
Donne oficiou muitos funerais e se desgastou tentando oferecer conforto
espiritual aos seus paroquianos que ouviam continuamente o som dos sinos
anunciando que mais uma pessoa morrera em Londres.
Além dos problemas alheios, ele teve que lidar com uma grave enfermidade que o
deixou acamado e à beira da morte por seis semanas. Foi nesse período que ele
escreveu um dos seus textos mais conhecidos: “Devoções" em 1623, onde ele
fala sobre as suas dúvidas, mas também revela que nunca perdeu a esperança,
afinal, ele confiava plenamente no Cristo ressurreto e por isso mesmo ele não
temia a morte, pois sabia que ela não tem a palavra final.
Numa das suas devoções ele escreveu algo sobre a morte: "Morte, não te
orgulhes; Embora alguns te alcunhem vigorosa e nefasta, erram, pois não és
[...]. Após breve repouso acordamos para a eternidade. Morte, não existirás
mais; morte, tu morrerás".
Donne, de forma poética e bela, deixa claro em suas reflexões que chegará o dia
quando a morte, o último inimigo a ser vencido, será derrotada. Mesmo que o
sino continue tocando anunciando mais um funeral, precisamos nos lembrar que a
morte não tem a palavra final, pois aqueles que estão em Cristo ressuscitarão
no último dia!
- Pr. Calvino Rocha